Série Av. Paulista: das casas de Siciliano e Rothschild ao Viking
A Avenida Paulista, palco da história e modernidade em São Paulo, com o Edifício Viking em destaque.
Nos primórdios do século XX, a Avenida Paulista já se destacava como um importante eixo de desenvolvimento em São Paulo, atraindo tanto moradores quanto investidores. Entre eles, dois nomes se destacam: Moritz Rothschild e Heribaldo Siciliano. Este artigo explora a história dessas figuras e das icônicas casas de aluguel que eles possuíram, além de como esses imóveis evoluíram ao longo do tempo até se transformarem no atual Edifício Viking.
O Contexto Histórico da Avenida Paulista
A Avenida Paulista, inaugurada em 1891, rapidamente se tornou um símbolo do progresso e da modernidade em São Paulo. No início do século XX, a avenida era cercada por residências que pertenciam a nobres e empresários, muitos dos quais alugavam suas casas. Essa prática era comum devido à alta demanda por moradia na região, que se tornava cada vez mais valorizada.
Moritz Rothschild: O Investidor Visionário
Moritz Rothschild, um dos investidores que ajudou a moldar a paisagem da Avenida Paulista, era um alemão que não apenas residia na avenida, mas também investia em imóveis. Suas casas de aluguel, projetadas pelo arquiteto Carlos Ekman, foram autorizadas para construção pela Prefeitura em março de 1911. O projeto inicial apresentava portas de comunicação entre as casas, permitindo que os construtores burlassem as exigências de recuo da legislação da época. Essa estratégia habilidosa era comum entre os construtores que buscavam maximizar o espaço disponível.
As casas de Rothschild, numeradas como 128 e 130, foram construídas a partir de uma planta que apresentava características simétricas, mas que na prática não eram idênticas. Essa diferença foi notada pelos engenheiros da Prefeitura, mas mesmo assim, a autorização para a construção foi concedida. Rothschild, que mais tarde precisou vender seus imóveis para ajudar no esforço bélico alemão durante a Primeira Guerra Mundial, acabou sendo incluído em uma lista negra do governo brasileiro, o que o forçou a deixar o país em 1917.
Heribaldo Siciliano: O Arquiteto e Político
Após a saída de Rothschild, as casas passaram para as mãos de Heribaldo Siciliano, um engenheiro e arquiteto que teve um papel fundamental na história de São Paulo. Siciliano não apenas ocupou as casas, mas também foi responsável por várias inovações na construção civil na cidade. Ele foi o engenheiro chefe das oficinas da Companhia Mecânica e Importadora de São Paulo, introduzindo maquinaria moderna na construção e tornando-se um dos mais respeitados arquitetos da época.
Siciliano foi eleito vereador da Câmara Municipal de São Paulo em 1921, onde propôs diversas reformas, incluindo o Código de Obras e a pavimentação da cidade. Sua influência foi tão significativa que ele se tornou um dos fundadores do Instituto de Engenharia de São Paulo e foi responsável por várias obras na Avenida Paulista.
As Mudanças nas Propriedades ao Longo do Tempo
Com a morte de sua esposa em 1932, a casa de número 130 foi vendida, enquanto a casa 128 continuou a ser alugada. Em 1927, esta última já aparecia em anúncios como disponível para locação, refletindo as mudanças no mercado imobiliário da região. A casa 128 teve uma história curiosa, envolvendo até mesmo um incidente em 1938, quando um morador foi alvo de uma matéria de jornal ao ter seu carro roubado.
O imóvel de número 130 também teve sua trajetória, sendo mencionado em listas telefônicas e anúncios de aluguel. Em 1927, foi adquirida por Jesuíno da Silva Campos, que a manteve como residência até sua morte. O velório da esposa de Jesuíno ocorreu na própria casa, o que demonstra a importância social do local na época.
A Evolução até o Edifício Viking
Atualmente, no local onde as casas de Rothschild e Siciliano estavam situadas, ergue-se o Edifício Viking, um marco arquitetônico da Avenida Paulista. Com 18 andares e lajes a partir de 400 m², o prédio abriga diversas empresas, incluindo a United Airlines e a Henkel. O Viking não é apenas um espaço comercial; ele também carrega histórias e memórias da Avenida Paulista, agora transformada em um centro de negócios vibrante.
A história do Edifício Viking é marcada por episódios curiosos, como um incidente em que um alarme de incêndio foi acionado devido a um fumante no prédio, resultando em uma evacuação desnecessária. Isso reflete a vivência cotidiana dos paulistanos que interagem com a Avenida, um lugar que é tanto uma artéria comercial quanto um espaço de memórias e histórias.
Conclusão
A Avenida Paulista não é apenas uma via movimentada; é um testemunho da evolução urbana de São Paulo, repleta de histórias de pessoas que contribuíram para seu desenvolvimento. A transição das casas de Rothschild e Siciliano para o moderno Edifício Viking encapsula a transformação contínua da cidade, onde a modernidade e a história coexistem. Com cada tijolo e cada esquina, a Avenida Paulista continua a contar sua rica narrativa, atraindo tanto os que vivem na cidade quanto aqueles que a visitam.
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